“[...] a paisagem não é simplesmente
vista, ela é habitada [...]a paisagem não é simplesmente habitada, ela é vivida
[...]
No Catálogo da exposição de Iris
Helena na Caixa Cultural de São Paulo (Práticas de arquivo morto), um texto da
Karina Dias traz esse comentário de Michel Collot sobre paisagem.
Lembro, então, das paisagens mineiras
de Gonçalves e da Terra dos Piuns, onde tem muito vagalume e mosquitinho, onde
voam muitos pássaros que cantam pium,
e vivem, habitam a paisagem, Armando e Fernando, amigos nossos... (Armando foi aluno
de Francês da Nena, minha cunhada).
Araucárias, hortências (com c
ou s?
Lá aparecem as duas formas – mas as flores continuam misturando roxo, azul,
creme), vales, riachos, cachoeiras, sauna, kalevala (mito finlandês que
significa “paraíso’, explica Fernando), labirinto, cavalo que trota e é guiado,
piano, rastelo, tucanos... Bonito! Paisagens, algumas, típicas de frio... Festas brasileiras, organizadas nos bairros...
Nomes que lembram histórias
antigas... Barnabé, Forno, Chanfrada, Três Orelhas, Simão, Funil, Foice, Onças,
Terra Fria, Atrás da Pedra... Nomes de gente que morava lá, como o próprio
Gonçalves, os Henriques, os Martins...
Cidadezinha do interior, onde se
fabricavam doces, licores, queijo. Artesanato. Fabricavam, antes do turismo
rural que hoje domina a região. Nada contra o turismo rural, mas a favor da
cultura local...
Muito paulista por lá, desde os
anos 50, principalmente. Muitos ligados a atividades acadêmicas. Muitos
artistas. Alguns cuidam das experiências culturais dos moradores. Outros, a
maioria, não. A maior parte vem nos fins-de-semana, e volta para São Paulo.
O prefeito é do PSDB e parece
ausente da vida local. O município tem menos de 5000 habitantes, então corre
risco de ficar dependente de Paraisópolis, que fica a quase 30km.
Atrás da igreja que fica em frente na Hospedaria 123 (que já foi
Amélia e Caminho da Roça), podem ser vistos os 3 montes que dão origem ao nome
3 Orelhas. Existem histórias a respeito,
mas circulam entre os novos habitantes como se fossem estórias.
Em frente à Igreja há uma pracinha desocupada (a não ser pelos aviões
de isopor e papelão montados pelo meu irmão e dirigidos pelos netos dele,
lindos), cercada de casas.
Lá mora a Natiele, que estuda Psico-Pedagogia e é bastante crítica da
situação de Gonçalves e do País, e conhece sua cidade. “Todo mundo é parente
aqui”. Quer, depois de formada, abrir uma escola em Gonçalves, “onde haveria
espaço para as histórias do povo”.
Passamos o Natal em São Paulo, com a família (menos a Bruna e o
Gabriel, que estavam na Bahia com amigos), e fomos a Gonçalves para a virada do
ano, também com a família. Teve passeios, piano, carnaval. Lá em Lajedo, lá na
Terra dos Piuns.
Marcelo levou charutos para a virada na casa dos
Piuns. Faltavam folhas para enrolar os charutos.
Seo Antônio, do restaurante Atrás da Pedra (a Pedra
é a Chanfrada) conseguiu folhas de parreira. Uma hora, ele-SeoAntônio disse que
tinha que “fazer um servicinho” no restaurante, porque tinha alguém
substituindo ele, e “tem muito trabalho lá”.
Ele é o dono das terras todas dali...
seo Antônio e seu "servicinho" no restaurante Atrás da Pedra
Foi bom, encontrar a família e ir lá e a Gonçalves...
Foi bom, encontrar a família e ir lá e a Gonçalves...
Pena a Bruna e o Gabriel não estarem...

Saudade de Gonçalves...
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