terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Ladrão I



Aprendi na Avenida Mello Mattos o que era “avenida”: podia ser curtinha com era, mas tinha duas mãos e uma alameda separando cada mão. 
Era na Tijuca, no Rio. Muitos domingos íamos lá, para visitar as tias Juanita e Deola e tia Zayde e a bisa Maria Augusta, Mãe da Vó. E o tio Venancinho.
Um desses domingos paramos do outro lado da casa que chamávamos o “54”.
Surpresa e medo atual: encostado no portão estava um rapaz mulato (só reparei nisso agora), olhando para mim e deixando visível para fora da calça o pênis dele.
A Vó, nem o Vô, nunca tinham me contado sobre isso. Do mal, eu só conhecia “ladrão”. E lembro que fiquei preocupada com aquelas mulheres todas, “desprotegidas”, à mercê daquele “ladrão”. Não podia, mesmo, pensar outra coisa.
Durante muito muito tempo não pensei nisso. Agora veio essa imagem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário