Aprendi na Avenida Mello Mattos o que era “avenida”: podia
ser curtinha com era, mas tinha duas mãos e uma alameda separando cada mão.
Era na Tijuca, no Rio. Muitos domingos íamos lá, para
visitar as tias Juanita e Deola e tia Zayde e a bisa Maria Augusta, Mãe da Vó.
E o tio Venancinho.
Um desses domingos paramos do outro lado da casa que
chamávamos o “54”.
Surpresa e medo atual: encostado no portão estava um rapaz
mulato (só reparei nisso agora), olhando para mim e deixando visível para fora
da calça o pênis dele.
A Vó, nem o Vô, nunca tinham me contado sobre isso. Do mal,
eu só conhecia “ladrão”. E lembro que fiquei preocupada com aquelas mulheres
todas, “desprotegidas”, à mercê daquele “ladrão”. Não podia, mesmo, pensar
outra coisa.
Durante muito muito tempo não pensei nisso. Agora veio essa
imagem.
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