Deus me vê...
Nunca tinha lido isso, nem visto em nenhuma sala de aula nem
em qualquer sala...
A primeira vez que vi foi na sala
de aula da D.Zélia, professora nova de quando fomos da Penha para a Tijuca, na
Escola 1-7 Francisco Cabrita. Não nos ensinavam quem tinha sido Francisco Cabrita.
Hoje sei (pelo google) que se chamava José, nasceu no dia do aniversário do meu
Vô, era africano, e professor e espírita. Viveu em Portugal.
Logo na segunda-feira em que
cheguei, vi que as pessoas mentiam: “Quando ela perguntar se você foi à missa
ontem, diz que foi, senão ela te põe de castigo” – disse o coleguinha mais
experiente.
“Ainda mais tem óculos...” -
disse D.Zélia, quando eu quis sentar na fileira da frente. Não sentei, mas lá no final da sala, na quarta ou quinta fileira, estava do meu lado o menino mais lindo e bagunceiro
da turma. Dividia o lanche de bananadinhas com ele. Minha tarefa era “tomar
conta dele”.
Não sentia culpa de ler bem e
tirar notas altas. Só mais tarde é que reparei que a filha de uma mãe que ajudava
nas festinhas era a “primeira da turma”, e que esse equilíbrio não devia ser
quebrado. Eram as pequenas corrupções.
Tínhamos o caderno “meu amigo”,
em que apareciam perguntas que iam cair na “prova”. Repetição. Acho que foi aí
que comecei a ver que, se fosse professora, seria tudo diferente.
Menos a “preocupação ambiental”
da escola. Era “caxinguelê”, menina responsável pelas plantas e animais. “Não
pode deixar ninguém quebrar galho, machucar folha, correr atrás de cachorro...”
Tarefa difícil, naqueles tempos. Feita seriamente. Sabia que não podia; afinal,
vinha de uma Escola de Horticultura... Para “ser respeitada”, tinha uma rodinha
marrom de feltro, no bolso do uniforme.
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