terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Deus me vê


Deus me vê...
Nunca tinha lido isso, nem visto em nenhuma sala de aula nem em qualquer sala...
A primeira vez que vi foi na sala de aula da D.Zélia, professora nova de quando fomos da Penha para a Tijuca, na Escola 1-7 Francisco Cabrita. Não nos ensinavam quem tinha sido Francisco Cabrita. Hoje sei (pelo google) que se chamava José, nasceu no dia do aniversário do meu Vô, era africano, e professor e espírita. Viveu em Portugal.
Logo na segunda-feira em que cheguei, vi que as pessoas mentiam: “Quando ela perguntar se você foi à missa ontem, diz que foi, senão ela te põe de castigo” – disse o coleguinha mais experiente.
“Ainda mais tem óculos...” - disse D.Zélia, quando eu quis sentar na fileira da frente. Não sentei, mas lá no final da sala, na quarta ou quinta fileira, estava do meu lado o menino mais lindo e bagunceiro da turma. Dividia o lanche de bananadinhas com ele. Minha tarefa era “tomar conta dele”.
Não sentia culpa de ler bem e tirar notas altas. Só mais tarde é que reparei que a filha de uma mãe que ajudava nas festinhas era a “primeira da turma”, e que esse equilíbrio não devia ser quebrado. Eram as pequenas corrupções.
Tínhamos o caderno “meu amigo”, em que apareciam perguntas que iam cair na “prova”. Repetição. Acho que foi aí que comecei a ver que, se fosse professora, seria tudo diferente.
Menos a “preocupação ambiental” da escola. Era “caxinguelê”, menina responsável pelas plantas e animais. “Não pode deixar ninguém quebrar galho, machucar folha, correr atrás de cachorro...” Tarefa difícil, naqueles tempos. Feita seriamente. Sabia que não podia; afinal, vinha de uma Escola de Horticultura... Para “ser respeitada”, tinha uma rodinha marrom de feltro, no bolso do uniforme.

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