sábado, 8 de fevereiro de 2020

trajetória "profissional"


Entrei no Ministério do Interior em 1973, como Técnica de Planejamento (dizia-se “técnico” porque nessa época ainda não havia a expressão “analista”), socióloga, concursada, com Curso de especialização de quatro meses no CENDEC (Centro de Treinamento para o Desenvolvimento Econômico e Social), do Ministério do Planejamento. Éramos inicialmente cento e setenta técnicos de planejamento (os TP´s – P-1501), do Sistema Nacional de Planejamento (sistema pioneiro, formalizado há muito tempo – mais de 40 anos! - em lei de 1975), todos formados, de nível superior (em áreas como Sociologia, Geografia, Economia, Administração, recrutados em Brasília, no Rio, em São Paulo, em Belo Horizonte), concursados, alguns com pós-graduação.
Em 1998 fomos alocados no Ministério do Planejamento. Hoje estou aposentada.
Os tempos mudaram. O Ministério do Planejamento se transformou em uma parte do Ministério da Economia. (Peso relativo do planejamento?)
Infelizmente até hoje não somos reconhecidos como do “ciclo de gestão” ou como “carreira de Estado”. Os argumentos para as negativas da “reclassificação” (argumentos utilizados pela Procuradoria Geral da República, pelo Superior Tribunal Federal, pelo Tribunal Superior do Trabalho, e por outras instâncias) ainda é aquela de “não sermos de nível superior”. A questão de “não sermos concursados” foi esclarecida em Memorial junto ao STF; não existe mais. Somos “concursados” sim: selecionados em curso!
Espero que ainda em vida seja reconhecida como integrante de carreira – carreira de Analista de Orçamento e Planejamento.

MINTER, IPEA, Ministério da Agricultura, LBA, MEC
Após um período inicial no Ministério do Interior, com os demais TP’s que tinham escolhido ir para lá, entrei para o Programa Nacional de Migrações Internas (para onde queria mesmo ir - razão de minha escolha pelo MINTER).
Lá, com o Dr. George Martine (demógrafo, das Nações Unidas) e outros profissionais, participei da construção de políticas públicas para migrações internas.
Fiz parte do SIMI (Sistema de Informações sobre Migrações), projeto que registrava, quantitativa e qualitativamente, números e comentários de migrantes sobre seus processos de deslocamento, e avaliava a importância do processo de migrações internas para o País. Ali, aprendi não só a lidar com estatísticas e pesquisas qualitativas, mas também a fazer simulações e “treinar” as equipes regionais. Era importante, o SIMI, não só para o País, como para mim, então estudante de Ciências Sociais, aprendendo e ensinando.
Também participei dos CETREMI (Centros de Treinamento em Migrações Internas), que eram construções, em lugares-chave como etapas de migrações, onde se acolhiam provisoriamente e treinavam migrantes para a nova vida que os esperava. Histórias de coragem, bonitas.
Depois, acompanhei Dr.Martine para o IPEA (instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), do então Ministério do Planejamento. Nessa época, escrevi vários artigos com ele, sobre migrações internas. Aprendizado, vivência.
Fui em seguida para o Ministério da Agricultura, onde coordenei equipes responsáveis pela avaliação de políticas públicas de agricultura. Foi lá que conheci o primeiro Plano de Reforma Agrária. Estive sempre em contato com pessoas (técnicos, estagiários, assentados, produtores rurais sem terra), aprendendo a valorizar a Administração Pública.
Na LBA e no MEC, para onde fui depois, aprendi a acreditar em projetos integrativos, como os CAIC (Centros de Atendimento Integral à Criança e ao Adolescente). Tratava-se de construções em que várias atividades pedagógicas eram oferecidas aos moradores (não só aos estudantes), geralmente de comunidades pobres, junto com serviços de Saúde, Alimentação, Suporte Tecnológico, Esporte, Cultura, durante todo o dia. Muito desafiador - atividade de Educação Integral, importante naquele momento político - e preparadora para atividades que vim a desempenhar (e continuo a fazer, fotografando, escrevendo, publicando livros e artigos!). Essa atividade envolvia também construções, o que fazia necessário conviver com empresários, o que me fez desenvolver comportamentos éticos. Existem até hoje, alguns Caic's.
Resumindo: nesse tempo de Serviço Público, trabalhei em projetos relativos a migrações internas, agricultura, educação. Convivência...

Na vida
Serviço público...
Público, porque é pago por todos e se destina a todos... Sempre me lembrava disso, porque meu Avô pensava e agia assim... Mais tarde encontrei mais gente desse jeito, como o professor Aldo Paviani, que na Católica não quis receber os aplausos, porque “não estava fazendo nada de mais; era pago para isso, para mesmo depois de aposentado continuar fazendo serviços públicos”...
Ao mesmo tempo, eu engravidava, cuidava das meninas, cursava Sociologia, via o que me rodeava com olhar de curiosidade, fotografava, dava aulas, escrevia... Penso que o que fazia no Serviço Público era o mesmo que fazia no Serviço digamos Cotidiano...


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