quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Rádio MEC


Eu pegava carona com o Alberto (filho da tia Ezir), que ia para o Banco do Brasil, fazia com ele trajetos nem sempre diretos, e à tarde voltava para casa e ia para a Rua do Bispo, onde funcionava a Faculdade do Estado da Guanabara, onde estudava Ciências Sociais.
Nesse tempo trabalhava na Rádio MEC, que era na Praça da República (Campo de Santana), perto da Casa da Moeda.
Um dia desses vi uma entrevista com Cleonice Berardinelli, com quase 98 anos, professora de Letras. Lembro dela lá na Rádio MEC, mas ela nem olhava para mim, datilógrafa sem importância que eu era.
Lembro também do “maior poeta vivo do Brasil”, Carlos Drummond de Andrade. Ele me alertava quanto ao então diretor da Rádio (Eremildo Luís Viana): “você é novinha, estuda Sociologia e sai comigo... Ele é professor de História, daqueles antigos, da Universidade do Brasil... Foi colocado como diretor aqui, pela ditadura... Cuidado!”  Drummond passeava comigo na Praça da República, e uma dia foi lá no último andar, na oficina do luthier seo Guido Pascoli. Levava livros para mim.
(Pedi para me dizerem quem estava na Rádio: a Cleonice Berardinelli, o Isaac Karabchevsky, o locutor Moisés Nobre Leão, o Alceo Bochino... Foi assim que conheci, numa sexta-feira (dia em que ele assinava ponto),  “o maior poeta vivo do Brasil’, como disse o Pontual – colega da Rádio – se referindo ao Poeta, que estava atrás de mim... Na sexta seguinte levei o livro Fazendeiro do Ar, encadernado em verde, com as iniciais douradas do Vô, para ele autografar. Contei que gostava daquele livro. Ele, mais que autografar, fez uma dedicatória. Quando eu contei que ia para Brasília, casada com um xará dele, ele comentou: “Que xará bobo, levar você para aquela terra com tanta luz, mas que tem edifícios com vidros, que não deixam a luz passar...” )
Lembro também da Maria Helena, da d.Gioia, do Dieter Lazarus (era do Corpo de Bombeiros; fui pesquisar no Google, e encontrei o nome dele numa transcrição da Congada, de Francisco Migone) do Zezinho-fotógrafo , do Ubaldo (que trabalhava também na Penitenciária Lemos de Brito e fez lá os poucos convites de casamento com Carlos...) e  de outros. E da irmã da Regina, Dalila, que me levou para lá.
Vimos (Ana-filha e eu) um documentário sobre Fernanda Montenegro que mostra a Rádio MEC, na Praça da República, onde ela trabalhou como locutora, com uns 15 anos... Ana me ligou avisando e comemorando.
(Muita gente que depois se firmou como artista, passou pelos microfones da Rádio: sei da Fernanda Montenegro, da Odette Ernest Dias...)

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