Corri muito risco no “55”. Risco físico. Por exemplo: quando
ia fechar a janela do escritório ou as janelas da sala, podia ter “alguém” lá
fora e que atacasse aquela menina, para entrar na casa.
Uma vez eu estava no quarto e vi um homem pular do prédio ao
lado (era do Seo Adalberto, um bombeiro –
existe ainda? é o encanador?) Mas eu achava que encostar a janela era suficiente para
evitar todo mal...
A Vó também correu muito risco. Ela era boa demais;
acreditava que “todo mundo era bom”, e que no mundo havia muito mais gente boa
que má... Lembro que uma noite telefonaram lá para casa, avisando que um
cidadão tinha pulado para o quintal e dali seria fácil entrar na casa. A Vó
abriu a porta de trás e falou com ele: “O senhor é o ladrão? Venha tomar um
café, comer um bolo... E quando sair, não pule de volta não... Eu abro o
cadeado e você sai pelo portão, na frente da casa...”
Mas uma vez veio um grupo de meninos, atacaram a Vó, ela
ficou bem machucada.
Hoje sinto medo, vem a imagem das janelas e dos
meninos... Mas é um medo fora de
tempo...
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