terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Ladrão II


Corri muito risco no “55”. Risco físico. Por exemplo: quando ia fechar a janela do escritório ou as janelas da sala, podia ter “alguém” lá fora e que atacasse aquela menina, para entrar na casa.
Uma vez eu estava no quarto e vi um homem pular do prédio ao lado (era do Seo Adalberto, um bombeiro – existe ainda?  é o encanador?) Mas eu achava que encostar a janela era suficiente para evitar todo mal...
A Vó também correu muito risco. Ela era boa demais; acreditava que “todo mundo era bom”, e que no mundo havia muito mais gente boa que má... Lembro que uma noite telefonaram lá para casa, avisando que um cidadão tinha pulado para o quintal e dali seria fácil entrar na casa. A Vó abriu a porta de trás e falou com ele: “O senhor é o ladrão? Venha tomar um café, comer um bolo... E quando sair, não pule de volta não... Eu abro o cadeado e você sai pelo portão, na frente da casa...”
Mas uma vez veio um grupo de meninos, atacaram a Vó, ela ficou bem machucada.

Hoje sinto medo, vem a imagem das janelas e dos meninos...  Mas é um medo fora de tempo...

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