terça-feira, 31 de março de 2020

Tatá, o Otacílio


Lembro da Rádio MEC, no Rio. 
E lá, lembro do Tatá, o Otacílio. Sempre estava por lá, presente, prestativo. Acompanhava quem fazia programas no lugar de outro... Ligava para as pessoas que tinham esquecido de assinar o ponto... Na Rádio, era Otacílio Cruz, Coordenador Geral de Programação.
Morava num apartamentinho no Catete.
Um dia ele não foi, nem avisou. Se foi.
Carlos Drummond de Andrade (“o maior poeta vivo do Brasil”, dizia o Pontual, colega deles) escreveu uma crônica - Tatá, o bom, que depois foi publicada no livro 0 Poder Ultrajovem.
Não sei quando foi; o livro traz crônicas e versos do final da década de 60 até início de 70...

domingo, 22 de março de 2020

o caso eu conto como o caso foi


“o caso eu conto como caso foi.
ladrão é ladrão, boi é boi”
Introdução dos livros de Paulo, reproduzindo folklore nordestino.

Assim começam os livros de Paulo Cavalcanti.
Ontem liguei para Magnólia (filha de Paulo e Ofélia) para saber de Ofélia/Felinha.
Lembrava que dia 14 de outubro era aniversário dela. Ia completar 102 anos...
Ela-Ofélia se foi da vida em junho... (Paulo eu não me lembro, lembro que o aniversário era no dia 25 de maio, mas sei que eu estava lá... E que Paulo falava de Abelardo da Hora e de Pelópidas Silveira... E chorava...)
Lembro também de um dia em que fomos, Délio e eu, ver Felinha. “Será o impossível !?!”, disse ela, assustada e feliz com a surpresa. Ela passava rapidinho por aquelas janelas, que conhecíamos tão bem, como se procurasse algo – a chave da porta?
Ela-Felinha tinha feito noventa anos, e me deu uma lembrança que Moema – a filha designer, que mora em São Paulo - tinha preparado não para os noventa, talvez para os oitenta. Bonita, afetuosa, com a reprodução de uma carta de Ofélia para Paulo.
Fotografei ela e Délio.
Felinha bordava e costurava e também me deu, nessa ocasião, uma blusa e uma saia. E me contou audácias dela à frente de mulheres (como mulher, não como mulher de Paulo) que eu achava que deviam constar de Memórias da Comissão de Anistia, que queria entrevistá-la...
E falava de Paulo, de suas não conhecidas aventuras - “Coisas de homem que nunca viu a mulher ’dele’ ter um filho...” E eram – são – três: Magnólia, Moema e Carlos.
Foi bom saber que eles – Ofélia e Paulo - gostavam muito de Délio. E de mim também, que honra!

Coroa


Lembro do pessoal de casa, no Rio, falar da Gripe Espanhola. Matou muita gente. Era 1918 – há mais ou menos um século. Marcante, falavam muito. André me disse há pouco que a origem dela não era a Espanha; era o Kansas, nos Estados Unidos... (o Trump queria chamar essa agora de gripe chinesa...)
De vez em quando vem um vírus novo, que os cientistas não conhecem. A Gripe Espanhola era um tipo de influenza...  Daqui a um tempo vão saber qual vírus era o atual...
Desta vez, é grave, porque desconhecido e rápido de contágio.  E mata muito.
E o grupo de mais risco é dos idosos (penso que para qualquer doença...)
De qualquer maneira, temos que preservar a saúde. Mas tem alguma coisa de bom nessas providências?
Uma atitude recomendada é “ficar em casa”.
Mas não se sabe o que fazer em casa...
É bom reaprender a ficar em casa: lendo, escrevendo, jogando, conversando, não fazendo nada. Conversando.
Fui criança quando não havia tecnologias dessas em que há sempre um intermediário que impede a conversação, seja zapp, face, instagram, outros. Havia no máximo uma caneta em que a tinta saía da pena, e lápis - grafite dentro de madeira. Brincava de boneca, de correr e de andar de bicicleta, e de escolher a mais bonita das flores de um canteiro...
Talvez uma das vantagens seja essa – reaprender a ficar em casa, reaprender a conversar e brincar.
Agora, que se tem mais tecnologia, parece que voltamos a tecnologias mais antigas... E parece que vamos ter muito tempo pra isso... (ou não, pois não sabem a duração da pandemia,,,)
Quarentena, que eu me lembro, era afastamento de 40 dias. Agora é de bem menos... E fica difícil de aguentar..
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Tem muita invenção pra fazer em casa durante a quarentena... “Verdade ou não? Me diz uma resposta certa” – pede o João, filho da Julia-sobrinha quando viu aquele biscoito bordado. Não importa. Importa é que se inventa